Comer na casa de um Chinês

15:29:00


20:00 H, Sexta-Feira...
Saímos no Martim Moniz, apenas com umas indicações dadas por um amigo que já lá tinha ido. Com uma enorme vontade de experimentar este Chinês Clandestino!
Rua acima, rua abaixo, 3 voltas ao largo e piscinas entre os dois Centros Comerciais... finalmente encontrámos a estatueta de viola (a referência dada). Seguimos a rua, onde os carregamentos de fruta e legumes estavam a ser feitos para o fim-de-semana, que ai vinha. 
E é que encontramos uma casa aberta com uma escadaria e paredes cheias de grafittis!
 Subimos o primeiro andar e deparamo-nos com uma porta entre-aberta. Batemos à porta, como qualquer bom anfitrião e damos de cara com uma senhora de ascendência Asiática, com pouco vocabulário Português e constantemente atarefada. Entre as suas palavras, apenas percebemos: 
_O que querem?
_Viemos jantar, mesa para 4?
_Hhmmm...está cheio....esperar, esperar...
Olho para dentro e vejo uma sala pequena, com uma pequena varanda ao fundo e composta por 5 ou 6 mesas, cada uma com 5 cadeiras, rodeada por pessoas de todos os estilos e idades, desde rastafaris a artistas irreverentes, homens de fato a casais jovens... enfim aqui não há grandes títulos nem distinções. Tudo estava para o mesmo e com vontade do mesmo "Comer comida tipicamente chinesa a um preço acessível e cozinhada em casa de Chineses". 
Enquanto esperamos, vou à casa de banho e passo por mais duas salas com o ambiente tal e qual à primeira, antes de entrar dou uma espreitadela na cozinha, apenas por curiosidade de foodie...


Tachos enormes a cozinhar noodles, chapas, wooks, tábuas com legumes, panelas de arroz, tal e qual as famosas cozinhas descritas em livros e apresentadas em filmes. Com uma pequena janela a servir de extintor, nas traseiras dos prédios de SHANGAI.


Assim que a senhora nos dá permissão para ocuparmos a mesa, olho para a escadaria e vejo-a repleta de pessoas, grupos de 4 5 e 7 pessoas, que tal como nós iriam ter de ficar à espera.
Recebemos a ementa enquanto as toalhas são postas. Escolhemos duas entradas e um prato para cada um.
Os preços são acessíveis e a variedade de pratos também. Entregam-nos um papel para apontarmos os números do que queremos e as quantidades.

Apenas como um guia de preparação, vou enumerar 4 regras a ter em atenção quando vierem cá comer:

(1) Levantem dinheiro;
(2) Um prato para cada um é um exagero. As doses são enormes, repletas de legumes e molho. ( mas acompanhamento..terão que pedir à parte)
(3) Peçam tudo de uma vez, só haverá uma folha por mesa ( o bloco de notas é recolhido de imediato após o primeiro pedido)
(4) Levem um bom vinho de casa, eles deixam que o façam e assim não têm de se limitar aos deles (acredito que se esforcem para escolher o melhores entre qualidade e preço, mas a variedade é pouca e a qualidade remota ao ano de 2000 em que o Monte Velho era qualidade e o Eugénio de Almeida fazia as delicias dos jovens)



Entre Frango com molho agre e doce, pato na chapa, chop-suey de vaca e gambas com molho de ostra, fica de assinalar o chop suey de vaca, como o mais surpreendente. A carne de vaca fina e macia, os legumes frescos e meio cozidos com um molho delicioso por cima, deram uma excelente primeira impressão. O prato mais surpreendente ficou mesmo para o Pato. Todos nós já ouvimos falar das técnicas asiáticas de preparação de pato, assim como a atenção e textura estadiça que estes dão à pele. Todos este pormenores estavam explícitos no prato, desde a carne tenra e saborosa à pele crocante, passando pela cama de legumes grelhados e um molho à base de óleo de coco, a juntar todos os sabores. Deixou-me realmente surpreendido. 
Os outros dois pratos estavam também muito bons, mas já era algo conhecido. O frango agre e doce cheio de fruta e toque avinagrado e a gambas envoltas em fios infinitos de rebentos de soja, bem frescos e crocantes, com uma cor escura dada pelo molho.


A acompanhar, pedimos uma dose de arroz chow fan, por muitos conhecido como o famoso arroz Chau-Chau e noodles de arroz com legumes (venero estes noodles, e eles sabem cozinha-los no ponto certo).
No fim, pagámos algo como 8 euros, cada um e deixámos ainda comida no prato.
Barriga cheia e olhos em Bico! 



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2 Comentários

  1. Beco da Barbadela (foi a Rua que encontrei no Google Maps).
    Mais informações estás à vontade.

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